“Raízes Crespas” é um projeto de pesquisa da artista Helen Aguiar que se desdobra em uma exposição que reúne um conjunto de trabalhos artísticos, transitando entre as linguagens da fotoperformance, colagem e desenho. A exposição explora a prática das trancistas e sua capacidade de conectar a temporalidade ancestral africana com a contemporaneidade diaspórica, revelando o ato de trançar como uma tecnologia complexa que envolve desde aspectos da estética, autocuidado, história, rito, identidade e expressão cultural.

Nesta pesquisa, Helen Aguiar evoca a história de Paãnza, a mulher que, em tempos de travessia, carregava sementes de arroz entre suas tranças, garantindo a continuidade de uma herança alimentar e cultural através dos oceanos e territórios. Essa narrativa inspira a artista a ver o cabelo como uma tecnologia ancestral, carregada de significados e complexidades subjetivas, que se manifestam no cotidiano de formas que a presença indica toda bagagem ancestral que o corpo carrega. Dessa forma, a artista recria as tranças com arroz em seu próprio cabelo e revisita fazendas coloniais na região de Cunha, evocando a presença preta invisibilizada pelo passado escravocrata do país. 

Em grande parte de seus trabalhos, Helen Aguiar não apenas representa a imagem do cabelo, mas o utiliza como superfície (ou medium) de criação. Ao adotar o cabelo como suporte, a artista subverte os meios tradicionais da arte, como tinta sobre tela ou grafite sobre papel, incorporando a tridimensionalidade, texturas e os movimentos das tranças em suas composições. Dessa forma, durante o período de exposição no Pavão Cultural, a artista irá mediar uma ação com trancistas de Campinas-SP que irão trançar cabelos das pessoas como forma de tornar presente a ancestralidade por meio de uma ação poética e política do cotidiano contemporâneo. A ideia é contextualizar as tranças atuais como manifestação de embelezamento e diálogo com a identidade afro-brasileira, valorizando a cultura da juventude na atualidade. 

“Raízes Crespas” convida o público a experimentar essa interseção entre arte, identidade e memória. As obras de Helen Aguiar nos levam a refletir sobre a potência simbólica do cabelo enquanto marcador de identidade, e como ele atua como uma ponte entre o passado e o presente, entre o individual e o coletivo. Cada trança é uma história, cada curva e entrelaçamento, um eco das vozes que precederam e que continuam a moldar o entendimento do nosso mundo. 

Quando:  1 de novembro à 30 de novembro de 2024
Onde: Rua Maria Tereza Dias da Silva, 708 Cid. Universitária Barão Geraldo Campinas
Entrada gratuita!

A exposição é apoiada pela Lei Paulo Gustavo 01/2023